GERIR-COM RESPONSABILIDADE: UM ESTUDO SITUADO COM A ECOLOGIA DAS PRÁTICAS NO PARQUE ESTADUAL DE ITAÚNAS (ES)
Nome: FILIPE CABACINE LOPES MACHADO
Data de publicação: 27/04/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALFREDO RODRIGUES LEITE DA SILVA | Examinador Interno |
| JULIANA CRISTINA TEIXEIRA | Examinador Interno |
| JUSSARA JÉSSICA PEREIRA | Examinador Externo |
| LETICIA DIAS FANTINEL | Presidente |
| VERÓNICA POLICARPO | Examinador Externo |
Resumo: Esta tese se insere nos debates contemporâneos sobre a gestão no contexto do Antropoceno, problematizando os limites das abordagens tradicionais da Administração diante das crises socioambientais e das complexas relações entre humanos e mais-que-humanos. Partindo do reconhecimento de que as Unidades de Conservação constituem espaços de disputas socioambientais e composições entre múltiplos modos de existência, o estudo busca tensionar a centralidade de uma racionalidade instrumental e antropocêntrica no campo da gestão responsável. Nesse contexto, a pesquisa adota como objetivo geral compreender o gerir-com responsabilidade como uma prática cosmopolítica situada com a ecologia das práticas no Parque Estadual de Itaúnas, Espírito Santo, Brasil. Para alcançar esse objetivo, a tese é estruturada em quatro artigos que se articulam de maneira complementar. O primeiro, de caráter exploratório, investiga o organizar-com a natureza nas ecologias das práticas de Unidades de Conservação brasileiras, evidenciando as tensões e composições entre diferentes modos de existência. O segundo artigo propõe o devir-com, inspirado em Donna Haraway, como uma lente teórico-epistemológica para repensar as fronteiras na gestão, ao mesmo tempo em que dialoga com a ecologia das práticas e a ciência lenta de Isabelle Stengers para problematizar o fazer ciência administrativa. O terceiro artigo avança para o campo empírico ao explorar o pesquisar-com como uma operação pós-qualitativa, evidenciando como o conhecimento se produz nas relações e afetações vividas no território. Por fim, o quarto artigo desenvolve o conceito de gerir-com responsabilidade, articulando contribuições teóricas e empíricas para compreender a gestão como prática situada nas ecologias de práticas em Itaúnas. O argumento central da tese sustenta gerir-com responsabilidade implica reconhecer que toda decisão administrativa é, também, uma intervenção cosmopolítica, na medida em que afeta modos de vida, fluxos ecológicos e possibilidades de futuro nos e com os territórios. Se, com Donna Haraway (2023), responsabilidade diz respeito à capacidade de responder-com os emaranhados multiespécies, com Isabelle Stengers é possível reconhecer que cada prática, seja ela científica, comunitária tradicional, estatal ou turística, carrega suas próprias obrigações, modos de coexistência e modulações em uma ecologia específica (Stengers, 2005, 2023). Assim, o personagem PEI nos ensina que gerir-com responsabilidade não significa harmonizar interesses sob uma lógica superior, mas
sustentar a hesitação diante daquilo que insiste em contar. Ao articular o devir-com e a response-ability à ecologia das práticas, esta tese contribui para os debates sobre a gestão responsável ao deslocar a Administração de uma racionalidade centrada no controle para uma perspectiva cosmopolítica, situada e mais-que-humana.
