A GOVERNAMENTALIDADE NEOLIBERAL E A CONSTITUIÇÃO DAS SUBJETIVIDADES DOS FINFLUENCIADORES: O “EU” ENQUANTO “EMPREENDEDOR DE SI” E “INFLUENCIADOR DO OUTRO

Nome: GUILHERME PINHEIRO MARIA

Data de publicação: 09/04/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
AMANDA SOARES ZAMBELLI FERRETTI Examinador Externo
ELOISIO MOULIN DE SOUZA Presidente
FERNANDO RESSETTI PINHEIRO MARQUES VIANNA Examinador Externo
JULIANA CRISTINA TEIXEIRA Examinador Interno
LETICIA DIAS FANTINEL Examinador Interno

Resumo: Esta tese teve como tema a governamentalidade neoliberal e a constituição das
subjetividades dos finfluenciadores digitais brasileiros, analisando o sujeito enquanto
empreendedor de si e influenciador do outro. O objetivo geral consistiu em
compreender criticamente como a prática discursiva da governamentalidade
neoliberal constituiu as subjetividades dos finfluenciadores, buscando, de forma
específica, identificar e a analisar os discursos que atuaram nesse processo,
compreender como esses sujeitos reproduziram tais discursos em suas práticas,
verificar a existência de práticas de liberdade e problematizar o papel do finfluenciador
como empreendedor de si e influenciador do outro. A pesquisa adotou uma
abordagem qualitativa, de orientação crítica, fundamentada no referencial teórico de
Michel Foucault, especialmente em conceitos como subjetividade, discurso,
governamentalidade e práticas de liberdade. A construção do corpus da pesquisa
envolveu entrevistas em profundidade com 26 finfluenciadores brasileiros, além da
análise de conteúdos audiovisuais e textuais publicados em mídias e redes sociais
digitais. Os dados foram tratados por meio de categorização temática e analisados
por meio da técnica de análise do discurso foucaultiana. Os resultados evidenciaram
que os discursos neoliberais identificados foram associados ao empreendedorismo de
si, à meritocracia, à responsabilização individual, à autogestão, à performance
contínua e à autenticidade, e atuaram como regimes de verdade que moldaram as
práticas discursivas dos finfluenciadores, intensificados pela lógica algorítmica das
plataformas digitais, que instituiu um regime permanente de visibilidade, engajamento
e inovação. Constatou-se que esses sujeitos incorporaram tais discursos às suas
próprias vidas e os reproduziram nas suas comunidades digitais, disseminando um
modelo de subjetivação autogovernada, centrado na busca individual por estabilidade
e ascensão financeira, mediando assim, a governamentalidade neoliberal. Observouse, também, que essa mediação ocorreu por meio de estratégias narrativas baseadas
em histórias de superação, disciplina e sacrifício, bem como pela mobilização de
valores morais como autenticidade, simplicidade, transparência e humildade,
convertidos em diferenciais competitivos no mercado da finfluência. Identificou-se ainda, que a comunicação afetiva, a exposição controlada da intimidade e o
afastamento discursivo de práticas associadas ao risco financeiro reforçaram vínculos
emocionais com os seguidores, contribuindo para a moralização do sucesso e para a
individualização da responsabilidade pelo fracasso. Por fim, verificou-se a existência
de práticas de liberdade, embora localizadas, fragmentadas e limitadas pela
racionalidade neoliberal e algorítmica, manifestadas em movimentos reflexivos e
críticos que problematizaram a ostentação, o sensacionalismo e as promessas de
enriquecimento rápido. Concluiu-se que os finfluenciadores ocuparam
simultaneamente a posição de produtores e produtos da governamentalidade
neoliberal, constituindo-se como empreendedores de si e influenciadores do outro.
Suas subjetividades aproximaram-se da forma empresarial, evidenciada pela adoção
de vocabulário gerencial, a organização estratégica da comunicação, a gestão da
imagem pública, a conversão de valores morais em ativos econômicos e a orientação
de suas trajetórias para a criação e expansão de negócios próprios. Assim,
evidenciou-se que, no campo da finfluência, a lógica empresarial e algorítmica
constituiu não apenas o trabalho, mas a própria existência dos finfluenciadores.

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