QUEM CUIDA DE QUEM CUIDA? IMPLICAÇÕES DO TRABALHO DE CUIDADO NÃO REMUNERADO NA JORNADA ACADÊMICA DE MULHERES PÓS-GRADUANDAS

Nome: ALESSANDRA OLIVEIRA MONTEIRO

Data de publicação: 03/03/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
HELGA MIDORI IWAMOTO Examinador Externo
JULIANA CRISTINA TEIXEIRA Examinador Interno
SUSANE PETINELLI SOUZA Presidente

Resumo: Quem cuida de quem cuida? O trabalho de cuidado não remunerado, historicamente invisibilizado, permanece central para a reprodução da vida social e apresenta implicações significativas para a trajetória acadêmica de mulheres, especialmente quando atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. À luz de uma perspectiva interseccional, esta pesquisa tem como objetivo analisar como o tratamento do trabalho de cuidado não remunerado como uma externalidade social e institucional afeta a jornada acadêmica de mulheres pós-graduandas em uma universidade pública. O estudo dialoga com os aportes teóricos da divisão sexual e racial do trabalho, da interseccionalidade e da crítica ao produtivismo acadêmico, articulando-os para compreender o cuidado como categoria analítica estruturante das desigualdades acadêmicas. Adotou-se uma abordagem qualitativa, foram realizadas quinze entrevistas semiestruturadas e observação não participante com estudantes da pós-graduação. A análise e interpretação das informações foi conduzida por meio da análise temática reflexiva. Os resultados evidenciaram que o trabalho de cuidado não remunerado permanece majoritariamente sob responsabilidade das mulheres, em um contexto marcado pela ausência de corresponsabilização dos cônjuges, pela recorrência de jornadas múltiplas, frequentemente triplas ou quádruplas, e pela reprodução de lógicas meritocráticas e androcêntricas no espaço universitário. As diversas tarefas assumidas pelas mulheres produzem sobrecarga física, emocional e cognitiva, reduz o tempo disponível para atividades acadêmicas e compromete o bem-estar e a permanência na pós-graduação. As desigualdades de raça e classe social intensificam essas desigualdades, uma vez que mulheres negras e de baixa renda enfrentam maiores dificuldades em função da ausência de redes de apoio remuneradas e do acesso limitado a recursos materiais que possibilitem a conciliação entre cuidado e vida acadêmica. Conclui-se que o reconhecimento do cuidado como trabalho socialmente necessário constitui dimensão central para a promoção da equidade e da permanência acadêmica, apontando para a necessidade de políticas institucionais sensíveis ao cuidado, como flexibilização de prazos, ampliação da assistência estudantil, oferta de suporte psicossocial e investimentos em infraestrutura de cuidado. A pesquisa contribui para o debate teórico e empírico sobre gênero, cuidado e ensino superior, ao evidenciar que a permanência de mulheres cuidadoras na pós-graduação depende de transformações institucionais e estruturais que ultrapassam soluções individuais de conciliação.

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