TECENDO O PROCESSO CRIATIVO NO DESIGN DE INTERIORES DA EQUIPE DE PROJETO INTERIORIZADA EM UM BANCO PÚBLICO.
Nome: JANE ROSA MARTINS
Data de publicação: 25/11/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALEXANDRE REIS ROSA | Examinador Interno |
| CESAR AUGUSTO TURETA DE MORAIS | Presidente |
| JOSÉ EDEMIR DA SILVA ANJO | Examinador Externo |
Resumo: A criatividade organizacional tem sido amplamente debatida nos últimos anos, especialmente diante
de mercados cada vez mais competitivos e desafiadores. No setor bancário público, esse cenário
se intensifica com demandas por inovação, pressão por desempenho e transformações nos
espaços físicos de trabalho. Diante da necessidade de ambientes que estimulem a criatividade dos
funcionários, destaca-se o papel estratégico do design de interiores na configuração de espaços
que sejam colaborativos, agradáveis e sensorialmente estimulantes. Para isso, a experiência
multissensorial e o julgamento estético refinado dos profissionais responsáveis pelo design de
interiores são essenciais, sendo eles influenciados por fatores organizacionais, culturais e estéticos.
O desafio desses profissionais se potencializa ao projetarem para o complexo contexto de um banco
público, onde o design deve atender simultaneamente aos interesses institucionais, governamentais
e às necessidades dos usuários — por vezes, contraditórios. A equipe de projeto investigada,
composta por bancários concursados, possui a particularidade de ser interiorizada ao Banco, o que
influencia diretamente na criação dos projetos de design de interiores. Essa vivência prolongada no
contexto organizacional, aliada à experiência direta dos espaços que projetam — pois, nesse caso,
são os criadores influenciados pela própria criação —, contribui para soluções mais assertivas e
sensíveis. O objetivo da pesquisa foi compreender como ocorre o processo criativo no design de
interiores desenvolvido por uma equipe de projeto interiorizada em um banco público. Para isso, a
investigação articulou as abordagens teóricas da criatividade distribuída e da estética
organizacional, adotando uma metodologia qualitativa centrada em observações participantes,
entrevistas semiestruturadas, análise de documentos institucionais, registros fotográficos e, todo
esse material coletado, foram analisados pela técnica análise de conteúdo. A pesquisa concentrouse no processo criativo dos escritórios administrativos, reconhecendo sua relevância estratégica e
a escassez de estudos acadêmicos sobre seu design. Os resultados revelam que o processo
criativo da equipe não se limita à aplicação técnica de soluções projetuais, mas emerge como
fenômeno coletivo, relacional e sensível, influenciado por experiências multissensoriais, artefatos
materiais e vínculos simbólicos com o ambiente institucional. A pandemia de covid-19 destacou
ainda mais a relevância da experiência estética como linguagem sensível que comunica
acolhimento, segurança e pertencimento. A pesquisa contribui para o campo teórico ao evidenciar
os benefícios da articulação entre criatividade distribuída e estética organizacional, e para o campo
prático ao oferecer subsídios para que instituições públicas, bancos tradicionais e cooperativas de
créditos repensem suas estratégias de promoção da criatividade no ambiente de trabalho,
reconhecendo o valor estratégico do conhecimento estético e da escuta ativa dos usuários.
